A PEC da escala 6×1 voltou ao centro das discussões no Senado Federal nesta quarta-feira (1º). Durante uma audiência pública, representantes do governo, empresários, parlamentares e centrais sindicais apresentaram argumentos favoráveis e contrários à proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. A matéria permanece aguardando análise da presidência do Senado há mais de um mês.
Enquanto representantes do setor empresarial alertaram para possíveis impactos na economia, integrantes do governo e das entidades sindicais defenderam que a medida pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem comprometer a geração de empregos. Assim, o debate evidenciou as diferentes visões sobre os efeitos da proposta.
Empresários apontam aumento de custos
Representantes do comércio, da indústria e do setor de transportes afirmaram que a PEC pode elevar os custos das empresas e reduzir a competitividade. Além disso, defenderam que mudanças na jornada de trabalho ocorram por meio de negociações entre empregadores e empregados, em vez de alterações na Constituição.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também sugeriu que o Senado adie a votação para depois das eleições. Segundo ele, o tema exige uma discussão mais ampla para evitar decisões influenciadas pelo calendário político.
Governo e sindicatos defendem redução da jornada
Por outro lado, representantes do governo afirmaram que o impacto econômico da proposta pode ser absorvido pelas empresas. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, citou estudos que estimam efeitos semelhantes aos de reajustes do salário mínimo, sem prejuízo ao emprego.
Além disso, centrais sindicais defenderam que a redução da jornada pode diminuir casos de esgotamento físico e mental entre os trabalhadores. Para os representantes das entidades, mais tempo para descanso, convivência familiar e qualificação profissional tende a aumentar a produtividade.
Proposta ainda aguarda votação no Senado
A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados prevê o fim da escala 6×1, estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais e define um período de transição para adaptação das empresas.
Entretanto, o texto ainda precisa avançar no Senado antes de seguir para promulgação. Enquanto isso, parlamentares, empresários e representantes dos trabalhadores continuam negociando possíveis ajustes.
O debate sobre a PEC da escala 6×1 deve permanecer em destaque nas próximas semanas, especialmente diante dos impactos econômicos e sociais apontados por diferentes setores da sociedade.
Crédito: Agência Brasil.